domingo, 28 de março de 2010

Desmate ''Formiga'' ameaça litoral

De longe, a vegetação parece intacta, mas basta percorrer a área para ver o que as imagens de satélite não alcançam

Afra Balazina - O Estadao de S.Paulo

O desmatamento "formiga" - que come a mata de pouco em pouco, muitas vezes passa despercebido e não aparece nas imagens de satélite - é o maior inimigo do litoral norte de São Paulo. Os quatro municípios que compõem a região estão em boa posição no levantamento mais recente de vegetação nativa do Estado, indo da 1.ª posição (Ubatuba) até a 12.ª (Caraguatatuba). Porém, quando se percorre a área, o cenário é outro.

Há desde casas nobres pipocando onde antes só havia Mata Atlântica preservada até ocupações irregulares crescendo na Serra do Mar. Em Ilhabela, áreas mais afastadas da praia, que só abrigavam árvores, começam a dividir o espaço com imóveis de alto padrão - a região chamada de Tesouro da Colina é um exemplo. Em certos pontos da ilha é impossível enxergar a estrada em meio ao verde, mas residências aparecem em pequenos buracos, em áreas onde os turistas normalmente não chegam. Diversos topos de morros - que, pela lei ambiental, são Áreas de Preservação Permanente (APP) e, por isso, intocáveis - estão ocupados.

Os proprietários, criativos, também encontram brechas na lei para construir aberrações. Em Ilhabela, os imóveis podem ter, no máximo, dois andares e uma altura de oito metros. Porém, uma casa no bairro de Borrifos que ficou embargada por um período, mas está em obras novamente, lembra um prédio: tem quatro andares.

O prefeito da cidade, Antonio Colucci (PPS), explica a saída do dono: a construção foi feita em forma de leque e uma escada em forma de caracol liga as duas construções - os dois andares superiores não estão sobrepostos aos demais.

"A luta é incessante. As pessoas querem sempre mais, há um grave problema de cidadania. E, muitas vezes, existe conluio com o poder público para aprovar certos projetos", afirma Jacow Grajew, do Movimento Nossa Ilha Mais Bela e do Instituto Ilhabela Sustentável. Segundo ele, a proximidade com uma grande metrópole como São Paulo faz com que a pressão de ocupação seja grande. Para mostrar os problemas enfrentados no município foi feito o vídeo Paraíso Ameaçado, que pode ser visto na internet (http://www.youtube.com/watch?v=MmJyEQWmd74).

Em São Sebastião, algumas obras começam a interferir em cartões postais. Uma casa em construção em uma encosta, por exemplo, obstrui parte da vista do mirante de onde se pode observar a praia de Juqueí, irritando quem chega para fotografar o local. No município, a altura máxima permitida para construção é de nove metros.

Mata adentro. Na rodovia Rio-Santos, de um lado fica a praia Barra do Sahy e, do outro, um loteamento precário. As moradias estão em um terreno inclinado e as obras não param. Na segunda-feira, a reportagem do Estado presenciou a construção de novas casas. Os moradores contam que os valores dos terrenos variam de R$ 17 mil a R$ 20 mil.

"Ninguém aqui tem escritura. Existe no máximo recibo de compra e venda", afirma um deles. O ex-zelador Wilson, de 40 anos, que preferiu não informar o sobrenome, erguia sua casa em um dos pontos mais altos da vila. "Se chover muito pode desmoronar. Mas, se a gente for morar no baixo, tem alagamento", afirma. Segundo ele, que nasceu na Bahia e está há 20 anos no litoral paulista, se houvesse opção, iria para outro lugar. "Eu até gostaria que o prefeito tirasse a gente daqui, colocasse em outro local e replantasse tudo. Mas o problema é que eles sempre querem nos colocar naqueles cubículos onde não cabe uma família", argumenta ele, que vive com a mulher e mais dois filhos.

Em Toque Toque Grande, a mesma cena do Sahy: casinhas sobem pela mata e estão cada vez mais perto de uma cachoeira. É inevitável lembrar dos bairros Cota em Cubatão, que surgiram na Serra do Mar ao lado da rodovia Anchieta, a partir dos anos 1940, degradando a mata. Os primeiros moradores trabalharam na construção da rodovia e foram ficando no local. Parentes se juntaram e, mais tarde, famílias que alegavam não conseguir mais pagar o aluguel. O agravante era que, nesse caso, grande parte das construções ficava dentro do Parque Estadual da Serra do Mar.

Agora, o governo estadual começou a retirar as famílias desses bairros. No total, 5.350 famílias de seis áreas serão removidas e transferidas para áreas urbanizadas. Entretanto, o dano ambiental já causado demorará para ser recuperado.

Eduardo Nunes, coordenador operacional das associações de amigos da Barra do Sahy (Sabs) e da praia da Baleia (Sabaleia), reclama da falta de fiscalização do governo em São Sebastião. Segundo ele, a ocupação na Baleia é mais pulverizada e difícil de enxergar. "Diferentemente da Vila Sahy, onde as famílias pegaram a beirada da estrada e foram subindo, na Baleia elas não ficam concentradas no mesmo lugar", conta. Na área, um piloto de paramotor (espécie de paraquedas motorizado) é pago pelas entidades de amigos de bairro para fiscalizar as invasões.

Cristo Redentor e mais 72 cidades brasileiras se unem à Hora do Planeta

Efe

O Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, e o Teatro Amazonas de Manaus foram alguns dos pontos turísticos que em 72 cidades do País se somaram à Hora do Planeta e apagaram as luzes como protesto pacífico contra o aquecimento global. O blecaute voluntário em vários pontos do Brasil aconteceu entre as 20h30 e 21h30, em resposta a uma iniciativa promovida em 117 países pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês).


No Rio de Janeiro, as praias de Ipanema e Copacabana foram outros dos lugares onde as luzes foram apagadas, enquanto no Jardim Botânico, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, liderou o principal ato do dia.

Os mercados Ver-o-Peso e de São Brás em Belém; a ponte estaiada Octávio Frias de Oliveira, o estádio do Pacaembu e o Parque do Ibirapuera em São Paulo; e o Congresso Nacional em Brasília também participaram da jornada que incluiu 19 das 27 capitais brasileiras. Os principais pontos turísticos do Brasil se uniram a outros de referência mundial.

"É uma hora por ano em que se sugere que os cidadãos manifestem sua preocupação em relação às mudanças climáticas. É um momento para dizer em alto e bom tom às autoridades, às empresas e à vizinhança que estamos atentos", declarou o superintendente de Conservação para Programas Regionais do WWF Brasil, Claudio Maretti.

No Brasil, participaram da iniciativa, entre outras empresas: Carrefour, Vivo, Unilever, Banco Santander, Mac Donnald's, Banco do Brasil, Telefônica e Grupo Pão de Açúcar.

A Hora do Planeta, que está esperando este ano a adesão de um bilhão de pessoas no mundo todo, surgiu na Austrália em 2007, e o Brasil participa desde a edição anterior.

Em outros lugares do mundo o evento também teve certa repercussão. As pirâmides, entre outros lugares famosos do Egito, foram o destaque da Hora do Planeta no país. Na hora indicada, as luzes que iluminam as pirâmides e a esfinge, ao sudoeste do Cairo, se apagaram, da mesma forma que outros lugares como a Cidade de Saladino, segundo as imagens divulgadas pela televisão egípcia.

Os monumentos mais famosos de Lisboa e Porto, as principais cidades de Portugal, e outros 20 municípios do país também se somaram ao blecaute mundial. O Mosteiro dos Jerônimos, a Ponte 25 de Abril e o Cristo Rei, em Lisboa; o Mercado do Bolhão, Clérigos e Sé e as pontes Dom Luís e Dona Maria, no Porto; e o Convento de Cristo de Tomar (centro do país) ficaram uma hora às escuras.

Na Alemanha, alguns dos monumentos mais emblemáticos de Berlim, como o Portão de Brandeburgo e a Prefeitura Vermelha, se somaram ao evento mundial. Várias centenas de pessoas assistiram ao blecaute da Porta da Pariser Platz.

Na Espanha, prédios emblemáticos da geografia local apagaram suas luzes. O palácio da Alhambra de Granada, a Mesquita de Córdoba e a Giralda de Sevilha foram alguns dos exemplos de arte muçulmana do sul da Espanha que ficaram no escuro, na iniciativa também seguida pela fonte de Cibeles e a Porta de Alcalá, em Madri; e a torre Agbar, de Barcelona.

A Torre Eiffel, em Paris, junto com 240 monumentos e edifícios emblemáticos da capital francesa também participaram do evento. O principal ponto turístico francês permaneceu apagado por apenas cinco minutos, conforme comunicado da Prefeitura de Paris, embora na sua base e durante uma hora foram acesas 1.600 velas colocadas em forma de "60", em referência aos minutos que durou a iniciativa.

Na Itália, o ator e diretor de cinema italiano Ricky Tognazzi acionou o botão para deixar no escuro a Fonte di Trevi de Roma, perante a surpresa de turistas que receberam uma lição improvisada de astronomia por especialistas do planetário da cidade. A iniciativa também deixou o Coliseu romano e a cúpula da Basílica de São Pedro no Vaticano apagados.

Minc critica lentidão na escolha de projetos para Fundo Amazônia

REUTERS

O ministro de Meio Ambiente, Carlos Minc, reclamou nesta sexta-feira, 26, da demora na escolha de projetos a serem contemplados pelo Fundo Amazônia, criado em 2008 para financiar iniciativas que promovam o uso sustentável da floresta. Em reunião da cúpula do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável pela gestão do fundo, o ministro, que deixa o governo no final do mês para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, pediu mais rapidez na aprovação dos projetos.

"Tem que apressar. O ritmo não está bom e precisamos melhorar isso", disse Minc a jornalistas. "Como o Brasil virou vitrine, temos que mostrar boa execução de projetos. Temos que acelerar sem perder o rigor de análise jamais", acrescentou.

Até hoje, apenas cinco projetos foram contemplados pelo Fundo Amazônia, em um total de aproximadamente 75 milhões de reais. Outros oito projetos já foram enquadrados pelo BNDES, e mais 4 devem ser aprovados na semana que vem, somando mais 100 milhões de reais Os cinco projetos são poucos em números, mas não em espectro", respondeu a chefe do departamento do BNDES para o Fundo da Amazônia, Cláudia Costa.

O Fundo Amazônia, até agora, conta somente com uma doação de 1 bilhão de dólares feita pelo governo da Noruega. BNDES e Ministério do Meio Ambiente pretendem iniciar, no próximo mês, uma nova fase de captação de recursos para o fundo.

De acordo com Claudia Costa, o BNDES já iniciou negociações com governos e instituições de 12 países para ampliar os recursos do fundo. O BNDES já recebeu mais de 50 projetos que poderiam ser beneficiados pelo fundo, num total de cerca de 800 milhões de reais. "Não significa que todos serão contemplados ou que estejam em conformidade com os 7 objetivos do Fundo", disse.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

Minc distribui sacolas plásticas retornáveis em Ipanema

Agência Estado

Na luta para reduzir o uso de sacolas plásticas pela população, um grupo de manifestantes liderado pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, distribuiu, neste domingo, 28, três mil sacos retornáveis a quem passava pela Praia de Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro. A ação faz parte da campanha "Saco é um Saco", lançada pelo governo em 2009.

"O meio ambiente não aguenta isso (o uso de sacolas plásticas, que não são biodegradáveis e geram poluição ambiental). Ano passado conseguimos reduzir 600 milhões de sacolas plásticas. A meta pra esse ano é de 1,5 bilhão", afirmou. Minc deixa o cargo amanhã para se candidatar a deputado estadual no Rio de Janeiro, pelo PT.

Para o ministro, a mobilização da população é fundamental para que as grandes empresas comecem a apoiar essa iniciativa e, com isso, se consiga poluir menos o meio ambiente.

O Rio de Janeiro já tem uma lei que obriga estabelecimentos a trocar o saco plástico por bolsas retornáveis. Segundo a secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos, até 2012 todos os estabelecimentos deverão estar adaptados. No evento, Minc aproveitou para recolher assinaturas contra a emenda Ibsen Pinheiro, que muda a distribuição dos royalties do petróleo.

"Depois da grande manifestação do Rio de Janeiro, o Senado já está pensando seriamente em mudar aquela emenda, porque você não pode, impunemente, contrariar toda a população de um Estado como o Rio, que vai, entre outras coisas, abrigar a Copa, que a gente quer verde, e as Olimpíadas, que a gente também quer bem verdinhas", afirmou o ministro.

terça-feira, 23 de março de 2010

Prêmio de Reportagem sobre a Biodiversidade da Mata Atlântica está com inscrições abertas

A Aliança para a Conservação da Mata Atlântica – uma parceria entre as ONGs Conservação Internacional e Fundação SOS Mata Atlântica - está com inscrições abertas para a décima edição do Prêmio de Reportagem sobre a Biodiversidade da Mata Atlântica nas categorias Impresso e Televisão. O concurso, que tem patrocínio, no Brasil, do Bradesco Capitalização e apoio do Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ) e da Federação Internacional de Jornalistas Ambientais (IFEJ), terá as inscrições abertas até 26 de abril pelo site www.premioreportagem.org.br, por e-mail ou correio, sendo que as report agens devem ter sido publicadas ou veiculadas no período de 1° de abril de 2009 a 31 de março de 2010. Desde sua criação, o Prêmio já recebeu mais de 587 inscrições na categoria Impresso e 259 na categoria TV. Como premiação, os jornalistas vencedores participam de um evento internacional de conservação ou jornalismo ambiental.

Formiga nativa da Mata Atlântica, a saúva-preta está ameaçada de extinção




A saúva-preta (Atta robusta) é um formiga ameaçada de extinção, que vive em áreas de Mata Atlântica conhecidas como restingas no Espírito Santo e no Rio de Janeiro. As larvas deste inseto se alimentam de um fungo que cresce sobre o material vegetal levado para a colônia pelas cortadeiras e processado pelas jardineiras.O formigueiro é formado por três tipos de saúvas: as operárias (cortadeiras e jardineiras), que levam e trituram o alimento; as soldados, que protegem a colônia; e a rainha, também conhecida como tanajura ou içá, única e muito maior que as outras. Os ninhos são caracterizados por montes de terras soltas no chão da mata, com orifícios por onde as formigas acessam a colônia. A rainha vive nas câmaras formadas pelo fungo e muda de local vári as vezes durante sua vida.

Apague as luzes neste sábado e faça parte da “Hora do Planeta”

Neste sábado (27 de março), o Brasil participa oficialmente da “Hora do Planeta”, ação promovida pela ONG WWF que tem como objetivo chamar a atenção dos líderes mundiais para o aquecimento global. Para participar desta iniciativa é simples: basta apagar as luzes entre 20h30 e 21h30 na data marcada. Em 2009, o Brasil participou pela primeira vez da “Hora do Planeta”, junto com 88 países e mais de 4 mil cidades. Na ocasião, diversos pontos turísticos e locais importantes apagaram as luzes, como a Torre Eiffel e o Cristo Redentor. Para saber mais acesse o site oficial da “Hora do Planeta” e não se esqueça de apagar as luzes!

Seminário gratuito sobre água acontece nesta quinta-feira. Inscreva-se!

Em comemoração ao Dia Mundial da Água (22 de março), acontece nesta quinta-feira (25 de março) no Auditório do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP) o seminário “Cuidar da Água: um desafio para a sociedade”, que promoverá palestras e discussões sobre o tema. O evento é uma iniciativa da SOS Mata Atlântica, do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental e do Instituto de Geociência da Universidade de São Paulo (USP). O objetivo da discussão é aprimorar a metodologia de monitoramento da qualidade da água e os indicadores que permitem à sociedade perceber as condições ambientais dos córregos e rios da bacia hidrográfica em que vivem e atuam. Além disso, o evento vai discutir ações de mobilização e controle social da terceira etapa do Projeto Tietê, no período de 2010 a 2018. Confira a programação completa no site da Rede das Águas e para efetuar sua inscrição clique aqui, as vagas são limitadas.

Fonte:SOSMA(SOS MATA ATLANTICA)

Audiência Pública discute mudanças no Código Florestal nesta quarta-feira (24/03)

Audiência Pública discute mudanças no Código Florestal nesta quarta-feira (24/03)
Se você está participando da campanha “Exterminadores do Futuro”, você terá a chance de mostrar seu apoio à legislação ambiental nesta quarta-feira (24 de março), às 14h30, em Brasília, em plenário a ser confirmado. Na ocasião acontecerá uma audiência pública para discutir as mudanças no Código Florestal, por isso é importante que a sociedade e instituições compareçam para mostrar seu apoio a esta legislação moderna, que garante ao Brasil uma posição de vanguarda na proteção ambiental. Essas modificações têm como objetivo abrandar as leis, e propõe m a diminuição das Áreas de Preservação Permanente e o uso de espécies exóticas para compor a Reserva Legal, por exemplo. Se você não está em Brasília nesta data, escreva para seu deputado (você pode conseguir o contato dele, no site da Câmara) e peça que ele o represente desta audiência, deixando claro que você é contra estas mudanças na legislação.
Participe da campanha “Exterminadores do Futuro”!
A Fundação lançou no dia 10 de março a campanha “Exterminadores do Futuro” com o objetivo de divulgar quem são os políticos e pessoas públicas que agem contra o meio ambiente. A ação será feita com a ajuda da população, que pode acessar o hotsite www.sosma.org.br/exterminadores e indicar candidatos a exterminadores, baixar modelos de cartas para enviar aos deputados e outros materiais da iniciativa. A campanha foi lançada em Brasília, com o apoio da Frente Parlamentar Ambientalista, e divulgará uma lista prévia durante o Viva a Mata, evento que acontece entre os dias 21 e 23 de maio no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Os indicados nesta prévia poderão se manifestar e uma lista final de exterminadores do futuro será divulgada em julho. Participe desta iniciativa! 
Fonte: SOSMA (SOS MATA ATLANTICA)


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