sábado, 21 de janeiro de 2012

As causas dos desastres ambientais no Brasil

Enquanto a sociedade brasileira não se conscientizar das causas, para pressionar o governo a atacá-las, infelizmente as tragédias se repetirão








18/01/2012
Editorial da edição 464 do Brasil de Fato
Todo ano, quando chega o verão, é a mesma tragédia se repetindo. Rios extrapolam suas margens, morros despencam, casas são inundadas, dezenas, centenas de mortos!
Os jornais televisivos nos enchem de imagens da desgraceira humana. Milhares de pessoas afetadas, sem casa, sem comida e água potável.
Alguns comentaristas procuram logo os culpados: o prefeito que desviou a verba, o governador que está de férias, o ministro da Integração Nacional que se preocupa apenas com sua base eleitoral em Petrolina, o governo federal que sempre chega tarde. Recursos públicos sempre tem – parece até em abundancia – mas ele não chega antes. E quando vem, chega no endereço errado.
Já o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) Aloizio Mercadante teve o desplante de dizer na televisão “que é assim mesmo, o governo não tem como evitar que todo verão ocorram tragédias socioambientais e com mortes”.
Mas ele não mora em nenhuma área de risco! Infelizmente os meios de comunicação no Brasil estão organizados apenas para dar lucro para seus proprietários. E nesse caso o que conta é explorar ao máximo a tragédia humana para aumentar as audiências e assim aumentarem os valores da publicidade. Quanto mais choro, desgraça, apelos desesperados, melhor para eles.
Enquanto isso, o povo brasileiro paga todo ano um alto preço, com vidas humanas, em geral entre os mais pobres.
Ninguém se preocupou em explicar ao povo as causas desses desastre socioambientais. Por que os rios extrapolam as margens? Por que nos morros e na beira de rios não tem mais arvores? Por que as pessoas se obrigam a construir suas casas nas encostas íngremes ou ao lado dos córregos e rios?
No desastre de dois anos atrás, no sul de Pernambuco e litoral de Alagoas – que destruiu em horas, treze pequenas cidades às margens de rios – houve uma única avaliação correta por parte das autoridades. Partiu do insuspeito ministro da Defesa Nelson Jobim, quando informou ao presidente Lula que a causa do desastre era a monocultura da cana. Que havia acabado com a proteção de mata ciliar nos rios, e empurrado os pobres para construir suas casas na beira dos rios, nos piores lugares das cidades.
Ficou registrado a opinião do ministro. Os desabrigados continuam sem emprego e sem casa. E a monocultura da cana, toda poderosa, com seus coronéis modernos, continua lá. Não é difícil imaginar que no próximo verão que a tragédia vai se repetir.
Temos várias pistas para debater as verdadeiras causas. A primeira vem dos especialistas em mudanças climáticas, que nos dizem que o desmatamento da Amazônia provocou um desequilíbrio nas chuvas. Assim, o que antes caía na mesma região, agora se transforma num verdadeiro rio celestial, e pela força dos ventos, todo período de verão é empurrado para baixo. Portanto, daqui para frente todo verão teremos chuvas torrenciais vindas da Amazônia na região Sudeste, provocadas pelo avanço do agronegócio da soja e da pecuária extensiva e seu desmatamento na Amazônia.
A segunda pista é o Código Florestal. Ele determina que todo córrego e rio tenha no mínimo 30 metros de proteção florestal nas suas margens, e de acordo com a largura do rio, deve aumentar proporcionalmente. Mas nas áreas da região Sudeste, o agronegócio não respeita. Planta cana, soja, pecuária até a margem do rio. Por isso, querem agora mudar o Código, para fugir das multas, e legalmente continuar não repondo as mata ciliar das margens dos rios e nos topos de montanha. Não tendo essa proteção da floresta no topo das montanhas e nas margens dos rios, cada vez que chove, a água desce e sobe com velocidade impressionante, destruindo tudo o que encontra pela frente.
A terceira pista é a especulação imobiliária praticada pelos capitalistas, que tomou conta de todas as cidades brasileiras. E os terrenos mais adequados viram milhões, e os pobres, ora os pobres, se obrigam a construir suas moradias nas encostas, manguezais, e na beira dos rios. E quando vem a chuva, tudo se perde.
A quarta pista é a impermeabilização asfáltica, que a hegemonia do transporte individual do automóvel está impondo nas cidades. Coloca-se asfalto em tudo, para ajudar o trânsito dos automóveis. As cidades são construídas para os automóveis e não para as pessoas.
Portanto, as verdadeiras causas dos desastres socioambientais estão no modelo de produção agrícola agroexportador do agronegócio, na especulação imobiliária nas cidades, e no desrespeito ao Código Florestal. Além disso, é claro, está na maldita indústria automobilística, que pode ajudar a aumentar o PIB, mas gera cada vez mais problemas para o povo.
Enquanto a sociedade brasileira não se conscientizar das causas, para pressionar o governo a atacá-las, infelizmente as tragédias se repetirão.



Com participação brasileira, estudo publicado na revista Science mostra que a agricultura, cada vez mais impactada por mudanças climáticas, ainda ignora sustentabilidade e segurança alimentar.



BRASIL | 20.01.2012

Alheia ao clima, agricultura segue despreparada para alimentar a todos

 

Com participação brasileira, estudo publicado na revista Science mostra que a agricultura, cada vez mais impactada por mudanças climáticas, ainda ignora sustentabilidade e segurança alimentar.

 
Na região Sul do Brasil, celeiro agrícola do país, o regime de chuvas não é mais o mesmo das últimas décadas. Santa Catarina, por exemplo, viveu sete anos de estiagem nos últimos dez anos – embora os cientistas ainda não possam afirmar categoricamente se a alteração foi causada por mudanças no clima.
"Mas é, sem dúvida, uma anomalia. Temos que prestar atenção. E a ciência é responsável por buscar a causa dessas anomalias", disse Carlos Nobre, do Ministério de Ciências e Tecnologia, em conversa com a DW Brasil. O pesquisador é um dos autores do artigo "What next for agriculture after Durban" ("O que vem pela frente para a agricultura depois de Durban", em tradução livre), publicado nesta sexta-feira (20/01) na revista Science.
Assinado por 14 cientistas atuantes em diferentes partes do mundo, o texto é provocativo: um dos setores sob maior pressão para garantir a sobrevivência da humanidade e que tem a missão de alimentar uma população de 9 bilhões de pessaos até 2050 é uma pauta esquecida nas negociações climáticas.
"A agricultura global precisa produzir mais comida para alimentar uma população cada vez mais numerosa. Por outro lado, avaliações científicas mostram que as mudanças climáticas são uma ameaça crescente para as lavouras e para a segurança alimentar", alerta o artigo.
Chifre da África: eventos extremos tornam-se comunsChifre da África: eventos extremos tornam-se comunsMudança em curso, alimento em risco
"É cientificamente provado que se pode ter uma agricultura de menor impacto ambiental, menos emissão, menor impacto de resíduos, menor impacto na biodiversidade e, ao mesmo tempo, mais produtiva e adaptada às mudanças climáticas que já se tornaram inevitáveis", afirma Nobre.
Essa inevitabilidade pôde ser vista nos últimos dois anos: na seca que castigou o Chife da África e desencadeou uma crise humanitária, nas queimadas na Rússia que atingiram plantações de trigo, nas enchentes no Paquistão e Austrália que também afetaram lavouras. São exemplos de eventos extremos que, como afirmam especialistas, ficarão mais frequentes com o aquecimento do planeta.
O setor agrícola mundial, porém, continua conservador, praticamente inerte a esse cenário desafiador, afirmam os cientistas. "As políticas priorizam o valor de mercado da agricultura, o fator econômico. A agricultura sustentável exige uma readequação do parâmetro principal, ou seja, foco na segurança alimentar e na redução do impacto no meio ambiente", ressalta o autor brasileiro do estudo.
Brasil: avanços e retrocessos
Nesse cenário, o Brasil está, ao mesmo tempo, "um passo atrás e um passo a frente". O país é elogiado por ter uma meta de redução de emissões, e o Plano ABC, ou Agricultura de Baixo Carbono, do governo federal, faz parte dessa estratégia.
A meta é evitar a emissão de 165 milhões de toneladas equivalentes de CO2 nos próximos dez anos. Para tanto, foram disponibilizados 3,15 bilhões de reais em créditos para os agricultores brasileiros aplicarem na chamada agricultura sustentável: incentivo ao plantio direto, recuperação de pastagens degradadas, plantio de florestas comerciais, integração lavoura-pecuária-floresta e fixação biológica de nitrogênio.
Lavouras brasileiras ignoram efeitos de um clima diferenteLavouras brasileiras ignoram efeitos de um clima diferentePor outro lado, a ameaça de regressão vem das diretrizes ainda em discussão do Código Florestal. Ainda não se sabe se a nova lei vai conciliar o desenvolvimento sustentável e socialmente justo com as necessidades da agricultura sustentável. "Há muitas forças conservadoras que não enxergam a sustentabilidade da agricultura e até certo ponto buscam um retrocesso. Ou seja: a expansão sem limites da fronteira agrícola", critica Nobre.
Enquanto isso, no resto do mundo, há poucos bons exemplos de práticas agrícolas sustentáveis que garantam também boa colheita. O artigo da Science ressalta um caso africano: na Nigéria, 5 milhões de hectares foram regenerados com técnicas agroflorestais, o que beneficiou mais de 1 milhão de residências e gerou uma produção extra de 500 mil toneladas de grãos por ano.
Agricultura num clima diferente
Os anos de estiagem e os alarmes disparados pelos cientistas começam a provocar tímidas reações no agricultor brasileiro. No sul, a fruticultura, acostumada ao clima frio, já começa a se planejar para o plantio em clima tropical. Em vez da maçã, que pede temperaturas mais amenas, a banana e o abacaxi poderiam ser cultivados no "novo Sul'. Essa possibilidade já é estudada pelos agricultores da região.
"A cafeicultura brasileira, finalmente, também começou a reagir. O setor relutou muito, foi muito conservador, mas percebeu que pensar no futuro com clima diferente é importante", comentou Nobre. O plantio da espécie arábica, por exemplo já se vê ameaçado nas regiões onde as temperaturas não param de subir.
Autora: Nádia Pontes
Revisão: Francis França
 
 
fonte:dw-world.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

ESTAMOS PRECISANDO DE 2 ONIBUS PARA TRAZER INDIOS DO XINGÚ


PessoALL!!!!
Atenção estamos precisando da ajuda dos amigos e empresários!!!
solicitamos aos simpatizantes da causa contra Belo Monte que nos ajude, compartilhando ou enviando para seus amigos empresários,empreendedores que possam colaborar com 2 onibus para trazer os indios que estão em Canarana para trazer os indios para manifestação no dia 25 de janeiro em São Paulo.

https://www.facebook.com/events/252888568110984

Quem puder colaborar por favor entre em contato URGENTE com a Sany Aweti Kalapalo.

(11) 5297-8714 -Sany
(11) 4704-3278 -Sany