sábado, 4 de fevereiro de 2012

Amazônia perdeu mais de 200 km² de floresta em dois meses



 amazonia
Floresta é rica em biodiversidade/Foto: Lubasi
Pouco mais do que a cidade de Aracaju (SE). Foi a área desmatada da Amazônia nos últimos dois meses de 2011, de acordo dados divulgados nesta quinta-feira, dia 2 de fevereiro, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

O sistema de detecção do desmatamento em tempo real (o Deter), que utiliza imagens de satélite para monitorar a Amazônia Legal, detectou que o bioma perdeu 207,59 km² da cobertura vegetal nos meses de novembro e dezembro, sendo 133 km² de floresta desmatada no primeiro mês e 74,59 km² em dezembro.

O número foi 54% maior à quantidade registrada no mesmo período de 2010. Porém o Ministério do Meio Ambiente (MMA) invalida a comparação, uma vez que no ano anterior a cobertura de nuvens atrapalhou mais o sensoriamento remoto em ambos os meses, possibilitando a análise de apenas 26% da floresta. Já em 2011, a cobertura de nuvens foi menos intensa e possibilitou verificar 55% do bioma.

O Deter detectou que o estado que mais desmatou no bimestre foi o Pará (58,56 km²), seguido do Mato Grosso (53,81 km²). O Inpe agrupa os alertas em uma base bimestral ou trimestral, para melhorar a qualidade da amostragem, nos meses da estação chuvosa na Amazônia.

Queda

O Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes), que analisa o desmate no bioma ao longo de 12 meses, apresentou em dezembro a constatação da queda de 11% na devastação da floresta.
Entre agosto de 2010 e julho de 2011, a Amazônia Legal perdeu 6.238 km² de sua cobertura florestal, quantidade inferior aos 7 mil km² referente ao mesmo período anterior. Essa é a menor área desmatada no período desde que o monitoramento foi iniciado na região em 1988, segundo o Inpe.



O Novo Código Florestal, o seu Impacto nas Áreas Úmidas Brasileiras e as Consequências para a Sociedade





Em, 2 de fevereiro, aniversário da assinatura da Convenção de Ramsar, comemorou-se o dia mundial das Áreas Úmidas (AUs). Essa convenção foi assinada em 1971, na cidade iraniana de Ramsar, às margens do mar Cáspio. Na ocasião, representantes de diversas nações concordaram em criar marcos regulatórios e políticas públicas visando a proteção das AUs, tendo em vista os importantes serviços prestados à sociedade por esses biomas de características únicas. Infelizmente, no Brasil, não há muito o que comemorar.

A discussão sobre o novo código florestal já se arrasta por vários anos, esperando-se para breve o desfecho dos debates sobre o tema no Congresso Nacional. Entretanto, os ecossistemas de áreas úmidas (AUs), de grande magnitude e relevância, não vêm recebendo o tratamento adequado. Estima-se que as AUs Brasileiras perfaçam aproximadamente 20% do território nacional.

A destruição de AUs importantes ao longo de riachos, rios e em áreas interfluviais pode levar à perda de serviços ambientais fundamentais para a nação, sob o ponto de vista ecológico, econômico, e social, incluindo a destruição de uma numerosa e única biodiversidade.



As AUs prestam serviços importantes para o meio ambiente e os seres humanos, tais como armazenamento e purificação de água, retenção de sedimentos, recarga do nível de água do solo, regulação do clima local e regional e a manutenção de uma grande biodiversidade.



Na velha e na nova versão proposta para o Código Florestal (CF), as AUs não são especificamente mencionadas. Mas o CF em vigor protege faixas de floresta ao longo dos córregos e rios de acordo com a largura do rio, sendo considerado o nível mais alto, isto é, o nível alcançado por ocasião da cheia sazonal do curso d`água perene ou intermitente como definido pela resolução CONAMA de 2002. Esta formulação dá proteção à orla das AUs, assegurando sua integridade. O novo CF considera Área de Preservação Permanente (APP) desde a borda da calha do leito regular, sendo esta definida na proposta para o novo CF como: a calha por onde correm regularmente as águas do curso d’água durante o ano. Esta proposição colocaria a maioria das AUs sem proteção legal, impactando negativamente os serviços proporcionados aos seres humanos e ao meio ambiente.


As AUs savânicas, com vegetação dominada por arbustos e herbáceas, que se estendem por milhares de quilômetros quadrados, como o Pantanal Mato-Grossense, o Guaporé, o Araguaia e as savanas de Roraima, não seriam protegidas com base na definição do leito regular do rio (nível normal), constante do Art. 4 do novo projeto de CF (PLC 30). Em ecossistemas de pulso, a referência à largura da calha regular não aborda o mais importante dos aspectos nesses sistemas, que é a extensão e expansão lateral dessas AUs, que varia ao longo da paisagem e do ano. Por exemplo, na entrada da planície Pantaneira, a AU do Rio Cuiabá é estreita, mas dentro da planície é muito larga, apesar de o leito regular ter a mesma largura. Desta forma, é evidente que a proteção eficiente das AUs só é possível usando o nível máximo de inundação como ponto de referência.

De acordo com artigo 225, da Constituição Federal, parágrafo 4, o Pantanal Mato-Grossense é declarado Área de Patrimônio Nacional e o uso de seus recursos tem que ser regulamentado por leis que garantam a proteção do ambiente. No entanto, apesar de ser um ecossistema com condições ambientais específicas, o Pantanal está sujeito às mesmas regras e regulamentos aplicados a todas as outras regiões brasileiras. A atual lei estadual do pantanal (lei N 8.830 de 2008) tem várias carências, destacando-se o fato de considerar como referencial para definir as faixas marginais de preservação ambiental, o nível mais alto do rio, considerado durante o período sazonal da seca, isso é um contra senso! O período seco no Pantanal pode significar leitos de rios completamente secos. Isso é muito grave e o novo CF coloca ao estado esta responsabilidade que é nacional.

O desmatamento da floresta tropical e a conversão do cerrado brasileiro em monoculturas já vêm causando impactos dramáticos sobre o ciclo hidrológico. Muitos rios e córregos que antes fluíam o ano inteiro no cinturão agro-industrial localizado na região centro-sul da floresta amazônica já estão secando durante a estação seca. Cada ano, durante o verão, (novembro – fevereiro) notícias sobre inundações catastróficas e deslizamentos de morros dominam os jornais, revistas e televisão. No ano passado, o estado de Rio de Janeiro sofreu dramáticas perdas de vidas de cerca de mil pessoas e danos econômicos severos devido a esses eventos. Este ano, o estado de Minas gerais chama a atenção por causa de grandes inundações, que mataram várias pessoas e causaram graves danos econômicos para a população atingida.

A reação dos políticos é recorrente: lamentam as perdas e prometem programas para contornar a situação. E, no ano seguinte, a situação continua a mesma; ou os programas não foram implantados em tempo, ou foram insuficientes, ou as catástrofes atingem outras áreas que ainda não foram beneficiadas pelos projetos de saneamento. Tanto a comunidade científica quanto os governantes em Brasília e nos estados atingidos, como também a mídia estão de acordo que o uso inadequado das terras e a falta de um planejamento racional da ocupação do espaço pelo homem são as razões para estas catástrofes. Os pântanos, que absorviam e estocavam a água da chuva como se fossem “esponjas”, foram transformados em terras para plantio. As áreas alagáveis ao longo dos riachos e rios, que serviam para reter as águas e para estocá-las temporariamente diminuindo os picos de enchentes, foram soterrados, sendo usados nas cidades pela construção civil ou, pior, como depósitos de lixo. A retificação e a canalização dos riachos e rios aceleraram o transporte da água resultando em enchentes cada vez mais acentuadas, rápidas e devastadoras, como estas observadas anualmente. Enquanto os gastos para prevenção de desastres naturais não atingem a marca de R$ 1 milhão, os gastos com as ações para conter os danos causados por esses desastres suplantam a marca de R$ 6 bilhões (http://www.adjorisc.com.br/politica/governo-investiu-so-13-dos-gastos-em-prevenc-o-a-desastres-naturais-1.1014492).

A solução definitiva para o problema deve incluir, dentre outros, planos de recuperação da vegetação natural em áreas críticas, além da preservação e restituição das AUs, para frear e mitigar os efeitos das enchentes, além da retirada da população das áreas críticas e a proibição da recolonizarão das mesmas por novos ocupantes. Essa é a única solução, principalmente, se considerarmos as previsões do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Elas indicam para o futuro, sobre grandes áreas do Brasil, estações chuvosas e secas mais intensas, caracterizadas por eventos com intensa precipitação e ondas de calor. Além disso, para a região do cerrado uma redução da precipitação anual de até 25% é prognosticada. Por isso, a disponibilidade e a distribuição das águas serão fatores limitantes para o desenvolvimento agrícola e o bem-estar das populações rurais e urbanas. As AUs intactas irão desempenhar um papel crucial na manutenção da água na paisagem, tamponando extremos no ciclo hidrológico e fornecendo água limpa. O novo CF da forma em que está vai favorecer a destruição desses recursos vitais, que em poucas décadas serão de importância econômica inestimável para o meio ambiente, a economia e a sociedade brasileiras. Considerando o fato de que importantes AUs brasileiras são transfronteiriças, a mudança do CF pode ter impactos negativos também para paises vizinhos, com potencial para a geração de conflitos.

Enquanto, por um lado, a sociedade convive com as conseqüências econômicas e sociais desastrosas da má ocupação do espaço nas regiões já ocupadas há séculos, o Congresso Nacional arrisca-se a facilitar os mesmos processos deletérios em todo o país, por meio da legalização do texto do novo CF. Há, no entanto, uma diferença no processo histórico: o agronegócio, com as suas atuais tecnologias avançadas poderá provocar em menos de vinte anos os mesmos danos que demandaram nos Estados de Rio de Janeiro e Minas Gerais mais do que dois séculos para atingir as populações. Quem indenizará os danos econômicos, sociais e ecológicos, como sempre, será a sociedade. Nesse sentido, demandamos maior lucidez dos tomadores de decisão, para compreenderem estas relações tão óbvias entre o clima, o ciclo hidrológico, as AUS e a ocupação do espaço pelo homem, de forma a poderem frear em tempo hábil um conceito de desenvolvimento que será extremamente caro para o Brasil. Proteger e manter as áreas úmidas intactas é muito mais barato de que destruí-las, para novamente reconstruí-las. Além disto, sua reconstrução raramente permite o retorno às condições originais. Por outro lado, a perda de vidas humanas com os desastres naturais não tem solução. Quem será responsabilizado por elas? 

W. Junk, Paulo Teixeira de Sousa Jr e Cátia Nunes da Cunha. INCT Áreas Úmidas (INAU) CNPQ/UFMT; Centro de Pesquisas do Pantanal - Cuiabá, MT


sábado, 21 de janeiro de 2012

Entrevista Prof:Aziz Ab' Saber - Foram fazer a revisão do Código Florestal e eu critiquei profundamente.


Nosso primeiro entrevistado do ano é um dos brasileiros mais ilustres: Aziz Ab’Sáber.  



Nascido em 1924, professor, geógrafo e grande ambientalista, fez pesquisas e trabalho de campo em praticamente todo o território brasileiro, observando de perto a destruição das últimas décadas das matas e ecossis-temas. Sua luta em defesa da natureza teve início em São Paulo, com a mobilização em prol da Mata Atlântica e se estendeu por todo o país. 

foto: area da casa do prof. Ab'Saber


Conversar com Aziz Ab’Sáber é uma oportunidade.

É poder viajar no tempo-espaço. Com sua impressionante memória, as respostas são dadas através de histórias detalhadas, com citações precisas das pessoas, datas e, evidentemente, suas localizações.

Mais que o maior geógrafo brasileiro, Aziz Ab’Sáber é um homem extremamente culto, humanista inquieto, observador inteligente e com simplicidade nos mostra que o poder do saber é um processo múltiplo, que se faz no diálogo entre vários campos do conhecimento.

Ano passado ganhou o Prêmio Juca Pato como Intelectual do Ano.

Com muita simpatia, e a delicadeza de um grande homem, nos recebeu em sua residência aqui na Granja para um bate-papo.

JDA: O Sr. mora na Granja Viana há muitos anos?

Moro na Granja Viana desde 1972. Sempre morei aqui. Minha residência era uma chacrinha... Hoje com o enorme imobiliarismo que está existindo aqui, a coisa está ficando tétrica. Isso é a primeira coisa que queria falar. O imobiliarismo  exagerado que está existindo e que representa muito mais o neocapitalismo do que a cultura. Problemas de cultura não estão em jogo, o que está em jogo é que cada prefeitura pretende ganhar mais impostos com mais casas e sobretudo as maiores. E isso em Cotia está chegando ao exagero total. Quanto mais prédios altos, mais escritórios, mais imobiliarismo, mais importância econômica para Cotia, por causa dos impostos. Isso é terrível! Eu acho que não podia ser assim. Os arquitetos e urbanistas fazem os projetos mas não levam em conta o que vai acontecer com as ruas e com o trânsito. Aqui  ficou o caos. Um pólo de desenvolvimento arquitetônico e economista mas não se preocuparam de maneira nenhuma com os acessos das pessoas que sempre estiveram aqui.

JDA: E não é por falta de cobrança. O trânsito: há  pelo menos três anos fazemos matérias questionando o Poder Público sobre a estrutura, o cruzamento da José Félix com a São Camilo por exemplo, e eles dizem que estão fazendo estudos com especialistas de São Paulo...

Que nada! Tem especialista aqui mesmo na Granja Viana e eles não consultam de jeito  nenhum.  Não houve nenhuma consulta a pessoas que entedem de urbanismo sub periférico na cidade da Grande SP. E você veja, qualquer dia a prefeitura de Cotia vai ter um problema muito sério. A Granja vai crescer tanto que vão acabar separando-a de Cotia.

JDA: Como o Sr. escolheu a profissão? Como surgiu o interesse pela geografia?

Eu nasci em São Luis do Paraitinga. Meu pai era libanês e minha mãe brasileira, simples de primeiras letras. Meu pai resolveu mudar para Caçapava porque em São Luis não tinha muita possibilidade de educar os filhos. E nesse período surgiu a USP tal como ela é hoje. E para Caçapava, no período em que eu fazia o colégio, foram alguns professores formados na USP e me influenciaram profundamente. Um deles me influenciou muito no estudo de história e geografia. Quando me formei no colégio, vim fazer o vestibular para a faculdade de Filosofia e então eu comecei a carreira de história e geografia. Eu sempre gostei de paisagem, desde menino. Às vezes as pessoas viajavam dentro de um ônibus conversando, falando de suas coisas e eu atento para a paisagem.

JDA: Quando o Sr. entrou na universidade? Como era a USP nessa época?

Entrei na USP em 1940. Naquele tempo existiam professores muito bem preparados, vindos de diversas regiões. O alunado era pequenino mas extremamente dedicado ao estudo. E a gente fazia uma intermediação da universidade à biblioteca. Eu me lembro do meu colega de turma Florestan Fernandes. Nós ficávamos estudando durante toda a semana na universidade e nos finais de semana íamos para a Biblioteca Mario de Andrade. Foi um período em que se estudava demais.

JDA: O Sr. fala com indignação dos acontecimentos, da corrupção política...

A corrupção em Brasília é algo que nos deixa  desesperados ao ponto da gente não gostar daqueles que são necessários para governar o país, que são os políticos. A corrupção é tolerada como sendo necessária, politicamente falando, e isso me causa muita indignação.

JDA:  E essa indignação das pessoas também se dá na questão ambientalista, tudo o que vem acontecendo e também a falta de comprometimento do Poder Público em relação a essas questões ambientais... O que se pode fazer?

A coisa mais complicada é que os ideais culturais desapareceram em função do eleitoralismo e da necessidade de chegar até os altos cargos de governo. Eu pessoalmente, que me dedico muito ao ambiente natural, cultural e social, fico numa situação dolorosa. Por exemplo, quando fui conselheiro e presidente da Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) fiz tudo para proteger as pequenas serras dos entornos  de SP e então surgem pessoas que não tem preparo. Foram fazer a revisão do Código Florestal e eu critiquei profundamente. O mais dramático do governo Lula e do governo atual é que ninguém quer aprender. É preciso defender, mais do que as florestas apenas, embora sejam elas as coisas mais importantes de um país tropical, mas tem que levar em conta o Nordeste seco, os domínios do Serrado, o  Planalto das Araucárias, etc. Enviei uma carta para Brasília e a pessoa que recebeu, um deputado, leu e respondeu que as ideias eram boas mas muito radicais. Depois da revisão do Código Florestal pelo Aldo Rebelo, eu voltei a tratar do assunto e um dos trabalhos fundamentais que escrevi, mas ainda não publiquei, chama-se “Do Código Florestal para o Código da Biodiversidade”. E eu tenho moral para falar disso pois trabalhei em todas as áreas! Sou daqueles que pensam que as universidades deveriam aprimorar os estudos sobre as ações humanas, sobre as heranças da natureza e a rápida devastação.

JDA: Sustentabilidade virou o termo da vez. Mas até que ponto as pessoas estão conscientes de que a postura delas, a maneira de se viver, o consumismo, é que deve ser repensado para haver menos impacto no meio ambiente?

Essa questão da sustentabilidade é uma palavra genérica que não tem valor nenhum. E todo mundo se apoderou dela. Os governos também se apoderam do termo, economia verde, não sei que lá verde... É só rótulo! Infelizmente a ordem de grandeza desses problemas que dizem respeito ao futuro do planeta Terra, não tem sido trabalhada com muito realismo e consciência científica e cultural.

JDA: O Sr. tem alguma mensagem para esse novo ano?

Queria deixar uma mensagem para os governantes. É preciso cuidar de maneira mais permanente da Amazônia, manter os processos de preservação do Brasil Tropical Atlântico, Serra do Mar, evitar que as pessoas do litoral subam pela Serra, evitar a venda de terrenos nessa área, sobretudo os terrenos muito inclinados e evitar o imobiliarismo exagerado, sem levar em conta a estrutura urbana prévia, como é o caso aqui da Granja. Evitar o aumento desproporcional e contínuo das regiões metropolitanas para as grandes áreas dos seus arredores. Ter uma noção clara do que seja a aldeia global regional e combater os corruptos de um modo consistente e exato a fim de que não haja deterioração da democracia e da socialização correta do país.



fonte:jornal daqui